"Negue seu amor, o seu carinho"
ouvia-se da voz que vinha da grafonola. A agulha riscava as palavras do poeta brasileiro. Peixoto e Magalhães, lá estavam no café a fazer as tais coisas que lhes eram habituais, quando ao longe vêem a garota de corpo domado a sair da água, inspirando maresia. Naqueles dois corações quase londrinos, eles ansiavam ser marinheiros, carregar os barcos de cais em cais, não procurando conforto, não procurando dinheiro. Suspiram. Ouvem a voz que a baiana tem, escrevem cartas em pele de índia. Soltam o grito da liberdade dos negros e cobrem os corpos de búzios e tabacos.
- Camarada, o mar está perto. Põe o teu chapéu, eu acabo o meu cachimbo.
- Não somos mais que velhos tontos do Restelo sentados. Afrânio, repara, em tudo o que fazemos nunca sonhamos tão alto, nunca descobrimos nada.
- Porquê caro amigo, por que ao que buscamos saber ninguém nos responde?
António Magalhães
Afrânio Peixoto
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