Há por aí pessoas bonitas!
Pessoas daquelas que passam na rua e só de passarem nos deixam leves. Elas sobem em bicicletas coloridas, enfeitadas com cestos, flores e pão. Vestem vestidos, vestem gravatas, usam cabelos soltos, colocam chapéus a flutuar sobre o seu andar tão encantador.
Foi numa tarde, quase de Primavera, que com uma besta em punho, talvez fosse um punhal ou um revólver daqueles bem pequenos, cujo cabo foi decorado por ourives, que fui para a esplanada. Em mim havia uma tal amargura, que abati todos os sorrisos como se fossem perdizes em época de caça. Há tanta raiva, há tanta raiva em mim.
Na verdade, não saí do meu sofá, não vi o sol sequer, mas todos os risinhos que entraram pela janela eu matei. Eu matei, e assassino morri com todos aqueles punhais de felicidade espetados no peito, que agora, que agora e há muito já não sabe amar.
António Magalhães
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