Abre a cigarreira num gesto pesado, pegando num cigarro como quem puxa pela morte. Na chama elitista queima um prazer que poucos poderão entender. Alguns olhares interrompem o fumo num gesto capaz de demonstrar alguma admiração. Afinal, aquela figura tão só, cujo pescoço se ergue no ar, esconde em si algo incapaz de ser descodificado por leigos. À boca encosta um trago de fumo inspirando mais um pensamento. Com o olhar vazio enfrenta a vida, olha a janela, desloca-se do mundo ao qual não pertence.
António Magalhães
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