terça-feira, 10 de abril de 2012

IV

Debaixo da varanda onde o republicano proferira palavras de outrora, a um público que já pouco existe, estava ele, sentado numa cadeira pouco comum. Quando me deparei com aquela figura, olhava as casas defronte já gastas, através de umas lentes escuras que o protegiam dos raios que lhe feriam as vistas, a sensibilidade dos olhos.
Notável era o conforto, o prazer e alegria que sentia no momento que lhe acontece duas ou três vezes por ano. Momentos efémeros. Os filhos. As histórias. Tudo lhe vincava o corpo, já descaído, cinzento, usado.
O sol não se foi, os raios não pararam, mas o momento acabou, e o velho, o velho desapareceu. 

Afrânio  Peixoto

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