sábado, 14 de abril de 2012

VII

Lá estava ele, esperando, não que a sua nobre companhia não fosse pontual mas mesmo assim... As pessoas esperavam-no.
Franzino, com o seu colete vistoso de estampa de sofá, bordado com linhas requintadas, aparentava-se a um pássaro. A um pássaro daqueles que ficam pousados no ramo mais alto das árvores, inchando o peito. 
Aquela postura era-lhe necessária, afinal não se critica de baixo.
No seu ar meio distraído, ele entretinha-se a criticar o mundo. Às vezes profissionalmente, outras por diversão. Com um ar bem irónico.
Aquele que o esperava interrogava-se, agora, como podia aquela figura apaixonada ser um destruidor dos sonhos daqueles que, na sua ingenuidade, acreditavam nas mães que diziam "O meu filho é um artista." Mas não eram. Nem talento. Nem espírito. Apenas aspiração.

De repente o pensamento foi-se em sobressalto, o café entornou-se com uma voz familiar que exclamou chilreando:
Boa noite, caro Amigo!

António Magalhães

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