domingo, 8 de abril de 2012

III

Era dia de coelho e eles comeram porco. O dia era de família, o almoço era de amigos. O forno funcionava no médio, mas teve que ser aumentado. Tudo parecia errado.
Aquela senhora marcada pelos anos não devia estar sozinha.  Eles nada lhe eram e estavam ali. O whisky, o porto, os favaios, o vinho, o verde, aqueles aromas que emavam de garrafas já secas, já sufocadas, pareciam esperar há muito aquele momento.
A conversa ofegante dos anos cansados surgiu. E no fundo, e no fim, tudo o que parecia errado bateu certo. Ela descansou na sua poltrona, feliz. Eles sairam um pouco mais sábios.

No dia da ressurreição, nada ficou por ali.

António Magalhães

Sem comentários:

Enviar um comentário