Era dia de coelho e eles comeram porco. O dia era de família, o almoço era de amigos. O forno funcionava no médio, mas teve que ser aumentado. Tudo parecia errado.
Aquela senhora marcada pelos anos não devia estar sozinha. Eles nada lhe eram e estavam ali. O whisky, o porto, os favaios, o vinho, o verde, aqueles aromas que emavam de garrafas já secas, já sufocadas, pareciam esperar há muito aquele momento.
A conversa ofegante dos anos cansados surgiu. E no fundo, e no fim, tudo o que parecia errado bateu certo. Ela descansou na sua poltrona, feliz. Eles sairam um pouco mais sábios.
No dia da ressurreição, nada ficou por ali.
António Magalhães
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